domingo, 9 de agosto de 2009

QUE COMIDA É ESSA QUE NOS FAZ CAMINHAR?


LECTIO DE 9/AGOSTO
1Rs 19, 4-8


E O PROFETA ESTAVA EM CRISE! PENSE SÓ!

ACHO QUE ELE PASSOU A ACHAR QUE A MISSÃO DELE ESTAVA ACABANDO COM ELE.

Se ele fosse um jovem moderno ele diria pra Deus: “ISSO É A MAIOR PAIA”

DESCULPA AÍ, DEUS, MAS A SITUAÇÃO ESTÁ MAIS PRETA QUE URUBU DE LUTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
VOCÊ JÁ ENTROU EM CRISE NA VIVÊNCIA DE SUA MISSÃO? POIS É, O PROFETA ELIAS TAMBÉM!

MAS QUE ALIMENTO É ESSE QUE FAZ O PROFETA CAMINHAR?

Que alimento é esse que Deus nos dá que nos faz dar passos na direção de sua vontade, simbolizada pelo Horeb?

Personagens: o anjo, o profeta Elias
Contexto: o deserto, a fuga do profeta, sua crise profunda

Elias entrou no deserto, caminhou e sentou (cansou): que grande crise a do profeta! Perseguido pela rainha Jezabel, mergulhou em um forte desânimo. Entrar no deserto é um modo de mergulhar naquela solidão e naquele silêncio onde a pessoa submerge sua vida em certas verdades. Dá pra olhar as coisas, avaliar tudo e buscar soluções. O pobre Elias não conseguiu nem isso!

Elias desabafa com Deus: quer desistir, tenta refugiar-se na morte que se Deus lhe concedesse naquele momento seria muito bem vinda. E por quê? A morte seria uma fuga, um deixar o problema no meio do caminho, não enfrentá-lo! Ora, quem não viveu isso? Quem não quis um dia em sua vida chutar o balde e o pau da barraca, jogar tudo pro ar e desistir. Que bom que Elias teve crises! O profeta é um alguém perto de nós. Todo mundo, junto com Jesus tem direito de viver o seu Getsêmani.

No seu desabafo o profeta não se acha um super-herói, nem um super dotado. Não se acha melhor que seus pais! Outra maravilha, outra jóia extraída deste texto bíblico. Deus não precisa de gente super-dotada, nem de super-heróis. Eles são fortes demais, independentes demais, poderosos demais. Poderiam miseravelmente ofuscar o poder de Deus e, sem o poder de Deus que será de nós? Passaremos a ser as pessoas mais infelizes e desgraçadas! Não precisamos do poder de Glayskow (lá do Heman, lembra?). Não precisamos do Batman, nem muito menos do Hobin, nem do Superman, nem da mulher maravilha nem do homem aranha com suas teias resistentes. E se nós não precisamos, Deus muitíssimo menos. As pessoas que se acham os super heróis são dignas de pena, pois não experimentarão o poder de Deus. Bastam-se! Que miséria!

O anjo tocou o profeta em crise. Quem é o anjo? É o mensageiro. São Gregório diz que podemos pensar no anjo não só quanto à natureza, mas quanto ao ofício. Um não nega o outro, entenda-se bem! Se assim for, poderemos ser os anjos (=mensageiros) de Deus na vida de tantas pessoas que estejam mergulhadas na escuridão de tantas dúvidas, de tantas perplexidades, quando a vontade ou mesmo as permissões de Deus com suas ações purificadoras são sinônimos de tantas noites escuras. E não só, mas os outros serão estes anjos em nossas vidas! Não esqueçamos também os puros espíritos, os anjos mesmos. Que eles nos assistam e nos lembrem de comer. “O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem e os salva” (Sl 33[34], 8. Que cada um se sinta comprometido com a Providência de Deus para ser canal de seus cuidados na vida das pessoas!

Mas, comer o que? O anjo disse “levanta-te e come” (v. 5). A comida era o pão que o Deus dava a Elias e que foi trazido ou mostrado pelo anjo. Nós hoje temos um pão especial. O Senhor Jesus dirá depois: “Eu sou o pão da vida. (...). Eis aqui o pão que desce do céu: quem comer deste pão, nunca morrerá” (Jo 6, 48. 50). De fato, a Eucaristia é o pão dos anjos, feita pão dos homens. Bonito, verdadeiro, transfigurador! E não só isso, mas também responsabilizante, comprometedor! Isto é fundamental. Levanta-te! Esta ordem (o verbo está no imperativo) nos fala que este pão não é comida para acomodados, parasitas, apáticos ou pessoas que simplesmente desistiram de tentar, de ir, de prosseguir. É pão dos que tentam, insistem, persistem e não desistem, apesar dos pesares. Come! Outro verbo importante cujo significado poderia ser nutre-te, robustece-te, deixa-te fortalecer.

“Tens um longo caminho a percorrer. Elias levantou e comeu, e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites até chegar ao Horeb, o monte de Deus” (v. 7b-8). Na força deste alimento, a caminhada por mais desafiante que seja, é tornada possível. A força da graça faz o poder de Deus agir vigorosamente. Quem come deste pão do céu que Jesus nos deu, nutre-se de Jesus, mas para tornar-se um com ele. Deste modo, a vida passa a ser mais cheia de sentido, as alegrias mais plenas, as dificuldades mais leves e fontes de oportunidades para crescer e santificar-se. O monte de Deus é onde Deus está. Poderemos dizer que Deus está na sua vontade em nossa vida. Lá onde, quando, como, porquê, fazendo, pensando ou falando o que sendo tudo isso, vontade de Deus, então poderemos dizer que nisso consiste nosso “Horeb”. Sua vontade é nosso lugar pois lá Ele está!

Caminhar é difícil. O poeta português dizia que “navegar é preciso”. Pegando carona, podemos dizer que caminhar é preciso. Por isso, comer é necessário. Caso contrário, desfaleceremos no caminho que, por sinal é muito longo!

Mas, não basta comer a Eucaristia, nem apenas celebrá-la ou mesmo adorá-la. Tudo isso é muito importante e são as preliminares imprescindíveis para o que deve vir depois. E o que vem depois? A vivência, a assimilação do pão do céu, ou seja, o tornar-se Eucaristia, vida doada, comprometida, ofertada.

RHEMA: celebrar, receber, adorar, viver a Eucaristia para caminhar e alcançar a meta!

ORAÇÃO: Dá-nos sempre deste pão. Que nunca desistamos de buscar, nesta caminhada rumo ao Horeb celeste, viver nutridos por este pão. Manda teus anjos visíveis e invisíveis para nos despertar a fim de que não nos prostre o torpor do sono de nossos medos e inseguranças, de nossos pecados e obstinações; que neste despertar, fiquemos de pé para nos alimentar e seguir adiante no rumo de teus projetos. Amém.

sábado, 8 de agosto de 2009

Metamorfose na montanha!


Mc 9, 2-10
FESTA DA TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

Personagens: Jesus, Pedro, Tiago e João. Outros: Elias e Moisés
Contexto: Montanha do Tabor

Subir o monte para estar a sós com Jesus: que bonito e que gesto essencial. Há que ser uma prioridade esta subida. A tradição viu nos lugares altos ambientes propícios para um encontro com o Senhor. Lugar de oração,contemplação, silêncio, solidão para estar a sós com o Só.

Lá na montanha o Senhor transfigurou-se. Metamorfoseou-se, isto é, transformou-se de modo fulgurante ante os discípulos. Sua luminosidade irradiante fez-se sentir de modo a transmitir toda a força do poder de Deus, sua beleza, poder e majestade. Uma antecâmara da ressurreição gloriosa de Jesus.

Personagens do antigo testamento que entram na cena: Moises (representante da lei) e Elias (representante dos profetas). Estes não deixam de ser figuras interessantes e significativas por serem arautos e guardiões zelosos da aliança que Deus fez com seu povo Israel. A lei e os profetas representavam as bases fundamentais da antiga aliança. E conversavam com Jesus: aqui vemos a unidade entre antigo e novo testamento. Existe uma harmonia na revelação de Deus. Estes dois personagens foram os que receberam as revelações no Sinai.

Três tendas: como estavam em lugar quase semelhante a um acampamento. Pode ser uma atitude de um alguém que ao deleitar-se com estas visões, deseja sumamente prolongá-las. Não cabe a nós armar tendas. Simplesmente acolher o que Deus revela e o que Deus nos faz experimentar, mas sem apegos.

Desceu uma nuvem: símbolo da manifestação divina (teofania). Indica o sobrenatural, transcendente. Além disso, a tradição oriental viu nesta nuvem o símbolo do Espírito Santo. Da nuvem veio uma voz (pelo texto, indica que é o Pai quem se dirige aos ouvintes): “Este é meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” (v. 7). Escutá-lo sempre, sem medo, com transparência e sinceridade. Ouvir não o que se quer ouvir, não o que vem ao encontro de certas acomodações egoístas, mas escutar o que Ele quer dizer; eis um gesto concreto de sabedoria e de sincero amor. Uma postura típica e irrenunciável do discípulo, ante seu Mestre.

Não viram ninguém, mas Jesus somente: só Ele basta, só Ele, sabedoria encarnada e eterna pode esgotar os anseios mais profundos de sentido que há no coração humano.

ORAÇÃO: Ó Divino Transfigurado, nós te celebramos, te adoramos e sinceramente te buscamos. Temos um anseio de felicidade e queremos preenchê-lo em ti. Ante a voz do Pai mandando-nos ouvir-te, lembramo-nos da voz de tua mãe mandando-nos fazer o que tu nos disseres (cf. Jo 2, 5). Ajuda-nos para que não nos apeguemos à tua fulgurante luz, mas estejamos atentos em ouvir a tua voz. Tua revelação seja nosso norte, tua voz carregada por tua Palavra seja, como diz o salmo 119(118), 105 “lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho”. Ouve-me, Tu que és a Palavra do Pai, Ele que contigo vive e reina na unidade da nuvem luminosa que surgiu no Tabor, teu bom, santo e vivificante Espírito. Amém.

Cananéia: a chatice de uma humilde fé!



Êta mulher chata! insistente, impertinente!


Êta mulher humilde, ousada, cheia de fé!

Pra cada cabeça, uma sentença! Affffiii!


Eu só sei que ela de boba não tem nada! Sei que ela fez a hora de Jesus acontecer na sua vida!

E você, sabe fazer a hora de Jesus acontecer em sua vida?

Personagens: A mulher Cananéia, Jesus, os discípulos.

A mulher Cananéia é imagem de uma pessoa ousada: Pôs-se a gritar. Em outras palavras, ela não se tinha medo, não se intimidava com nada. Nela sobressaíram a humildade e a fé.

Ao colocar nos lábios daquela pobre mulher os títulos messiânicos “Filho de Davi’ e “Senhor”, a nossa personagem faz um verdadeiro ato de fé no Messias Deus.

Os gritos da mulher incomodam. Tem gente cuja procura de Deus é um grito forte, eloqüente, insistente, consciente e sem dúvida, coerente, pois o Senhor escuta o clamor dos pobres. Não devemos ter medo de clamar com insistência pelo socorro de Deus. Se este clamor incomodar pode ser que ele seja uma profecia na vida daqueles que não gritam pelo socorro de Deus em suas vidas. Bastam-se em suas auto-suficiências.

Jesus prova duramente a fé e a humildade desta mulher. Em primeiro lugar por não dar muita importância aos gritos dela. Em segundo lugar recordando a sua condição de pagã (ao referir-se aos “cachorrinhos” que não deveriam ter preferência aos filhos).

Mas, a mulher venceu. Santa Teresa de Jesus ensina que a humildade é um fio de cabeço que trás Jesus prisioneiro para o nosso coração. Ao afirmar ela (a Cananéia) que também os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa dos filhos, ela arrastou Jesus com o fio de cabelo de sua humildade. Ele viu-se na necessidade de atender ao apelo eloqüente daquela mulher. Com efeito, “grande era a sua fé”.

RHEMA: ser humilde e confiante para buscar sempre o socorro divino e nele prosseguir rumo ao alvo da cristificação.

ORAÇÃO: tantas vezes Senhor, eu como filho, me comporto pior que os cachorrinhos. Tu me dás pão em abundância e que faço eu com as riquezas de tão preciosa nutrição? Hoje eu não peço as migalhas de tua graça, porque me alimentas com imensa quantidade de pão, especialmente com o pão da Palavra e o pão da Eucaristia. O que te peço hoje, ó divino Senhor é a graça de prosseguir com fé e humildade valorizando ao máximo o que me dás. E aquilo que me negas, tenha eu discernimento e lucidez espiritual para deixar-me guiar por teus desígnios para que eu não queira. Nada me tire de ti, por mais que em minha inconstância, eu titubeie e enfraqueça a minha decisão pela tua vontade. Eu conto com tua ajuda e que o grito da Cananéia esteja em meus lábios e em meu coração: “Senhor socorre-me!”.

 
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