sábado, 28 de agosto de 2010

As talhas das bodas de Caná: uma grande lição!


Ei Filoteu, pra você entender bem esse história que transcreverei agora, de um livro que achei, peço que você releia ou leia o texto de Jo 2, 1ss (aquele das Bodas de Caná). Reflita bem sobre o que segue;

As Talhas

   Estavam ali reunidas as seis talhas. Eram pesadas porque de pedra, mas amigos e vizinhos prestativos as haviam trazido e preparado para as ablusões. Continham muita água.
   Era dia de festa. As bodas estavam sendo celebradas no alpendre, porque a casa era modesta e os convidados numerosos. Grinaldas de flores e folhagem ornamentavam o ambiente rústico e singelo.
    As talhas conversavam. Comentavam a timidez da noiva, que ora corava, ora empalidecia, sorrindo furtivamente para o noivo que, por sua vez, parecia querer sorvê-la com um olhar ardente.
    Observavam também outra mulher que ali estava junto à mãe do noivo. Era simples e modesta, de uma beleza serena e luminosa como um luar de madrugada. Os seus olhos, solícitos, mas reservados, se velavam como duas lagoas tranquilas na montanha, sob a neblina matinal.
     Uma das talhas falou: "Que pena sermos grandes e pesadas. Gostaria de ser aquele cântaro leve e gracioso sobre a mesa, ou como uma das taças de argila que contêm pouca água, mas podem ver de perto o que se passa no banquete". "Não contém só água" disse outra, mas vinho. São bem mais nobre do que nós". - "Mais distintas" - acrescentou uma terceira. E outra: "Não ficam paradas e vêem muito mais..." E ainda outra: "Sentem o calor humano dos lábios e das mãos....".
    A sexta talha estava calada, pensativa. Por fim falou: "Estou satisfeita como sou. Aprecio a minha solidez e sirvo bem. A fragilidade também tem os seus incovenientes".
     Nesse momento, um dos convivas deu com o braço numa taça que caiu no chão ruidosamente, partindo-se em pedacinhos. As talhas se acotovelaram e riram. "Quem te deu tanta sabedoria?" perguntou uma à que falara por último. "A idade", respondeu ela.
    Foi aí que entrou mais um grupo de convidados. Tinham jeito de pescadores bronzeados pelo sol, frontes plasmadas pela profundidade do mar e pela altura das núvens, ombros habituados ao desafio das ondas. Um deles não parecia pescador, mas tinha as mãos calejadas do trabalhador manual. Poderia confundir-se com os outros se não fosse as estrelas nos olhos. E quando as estrelas dos olhos miraram as duas lagoas tranquilas que eram os olhos da mulher, a neblina se desfez e refletiram limpidamente o seu fulgor.
   Ninguém notou que os donos da festa estavam inquietos com a chegado do grupo, a não ser a mulher serena e solícita. Ergueu-se discretamente e foi falar com o lhomem das estrelas nos olhos.
    Só as talhas, agora vazias com as últimas ablusões repararam. E quando, a mulher se voltou para os serventes, sua voz soou como campainhas de cristal: "façam o que ele vos disser". E os servos retiraram delas vinho róseo, espumante, do melhor.
    Na hora ninguém deu conta de nada. As talhas sim. Compreenderam que algo de muito grande se passara. E a mais sábia murmurou: "Estou feliz de ser talha. Chega sempre para cada ser, um momento que o supera. Uma glória que ele pode realizar".
    A festa continuou no apogeu da animação. A mulher fitou o homem com carinhosa gratidão. E as estrelas nos olhos dele se refletiram mais uma vez nos olhos dela, antes que a neblina tornasse a velar recadamente aquelas lagoas tranquilas.
    
     Poucos têm a sabedoria da sexta talha e que se julgam felizes como Deus os fez. Desejam sempre algo mais, para além dos seus horizontes, sem esperar e sem saber que cada vida tem a sua hora suprema o seu momento especial que te ultrapasam. Cada um tem uma missão, importante, sem dúvida, gloriosa, com certeza. Tal missão deve-se cumprir.

   Pelo que Você me deu, ó meu Deus, e pelo que achou por bem não me dar, obrigado Senhor!

    Um abraço pra você, Filoteu.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Maria!


Olha Filoteu, quero te lembrar uma bela reflexão que São Bernardo fez sobre Nossa Senhora. Acho que é um dica e tanto. Aliás, quem fala é uma autoridade que assumiu de modo terno, bonito e profundo uma filiação bastante autêntica para com Nossa Senhora. Ela nos introduz na família de Deus, nos faz irmãos de Jesus. Isso mesmo. Com Maria somos irmãos tanto por parte de Pai (o Pai Celeste), como por parte de Mãe (a Virgem Maria: "eis tua mãe", disse o Cristo moribundo). Deixo contigo o pensamento do grande abade:

“Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida. Seguindo-a, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro. Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim” (Hom. II super “Missus est”, 17: PL 183, 70-71).

Que tal?

Um abraço do padre.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Bernardo, uma alma esposa!



Deixo para ti, Filoteu, este belíssimo e arrasante comentário que o Papa faz sobre São Bernardo. Sou fã deste Santo que apaixonou-se profundamente por Jesus e foi um grande protagonista no seu tempo, tendo em vista a maior glória de Deus. Segue abaixo o comentário desta alma esposa. Quero que olhes para esta bela figura acima, da íntima relação entre o Senhor e este tão maravilhoso amigo do coração divino do Mestre.

Só Jesus – insiste Bernardo, frente às complexas reflexões dialéticas do seu tempo – é “mel na boca, cântico no ouvido, júbilo no coração” (mel in ore, in aure melos, in corde iubilum). Daqui provém o título, atribuído a ele pela tradição, de Doctor mellifluus: seu louvor a Jesus Cristo “se derrama como o mel”.

Nas extenuantes batalhas entre nominalistas e realistas – duas correntes filosóficas da época –, o abade de Claraval não se cansa de repetir que só há um nome que conta, o de Jesus Nazareno.
“Árido é todo alimento da alma – confessa – se não for tocado por este óleo; é insípido se não for temperado com este sal. O que escreves não tem sabor para mim, se não leio nele Jesus”. E conclui: “Quando discutes ou falas, nada tem sabor para mim, se não sinto ressoar o nome de Jesus” (Sermões em Cantica Canticorum XV, 6: PL 183,847). Para Bernardo, de fato, o verdadeiro conhecimento de Deus consiste na experiência pessoal, profunda, de Jesus Cristo e do seu amor. E isso, queridos irmãos e irmãs, vale para todo cristão: a fé é, antes de mais nada, um encontro pessoal e íntimo com Jesus; é fazer a experiência da sua proximidade, da sua amizade, do seu amor, e somente assim se aprende a conhecê-lo cada vez mais, a amá-lo e segui-lo cada vez mais. Que isso possa acontecer com cada um de nós!


Que tal? Eis uma alma esposa, homem cristificado, arreado os quatro pneus e estepe por Cristo. Um abraço e bênção.

 
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