quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Toma consciência de tua dignidade!

Oi Filoteu!

   Ainda no tempo do Natal, tem uma mensagem que achei arrasantemente triturante e achei importante partilhar contigo. Trata-se de um sermão de um grande papa e doutor da Igreja que viveu no VI século, chamado Leão Magno. Ele nos diz:

   "Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamente indigno de tua condição. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas e levado para a luz e o reino de Deus. Pelo sacramento do batismo te tornaste templo do Espírito Santo. Não expulses com más ações tão grande hóspede, não recaias sob o jugo do demônio, porque o preço de tua salvação é o sangue de Cristo".

    Pense só! Vale à pena refletir e dar um rumo à própria vida a partir disso que esse santo padre da Igreja nos apresenta como um rumo a ser tomado. 

   Um abraço e bênção do Pe. Marcos. 

 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

As exigências da encarnação do Verbo



   Oi Filoteu! Ainda no rastro do Natal, pensei postar por aqui uma reflexão sobre as exigências do mistério da encarnação do Verbo em nossas vidas. Isso mesmo. Precisamos assumir alguns princípios que a própria Palavra de Deus e o testemunho vivo da Palavra feita carne nos dá e de nos solicita.

   O apóstolo Paulo, escrevendo aos filipenses diz que o Cristo que tinha condição divina "...esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo tomando a semelhança humana. E achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz" (Flp 2, 6-8). Mesmo conservando a natureza divina, pois o Verbo é consubstancial ao Pai, Jesus é homem e enquanto tal não reivindicou para si uma igualdade de tratamento de tão alta dignidade. A atitude de Jesus se apresenta então oposta à de Adão que quis ser como Deus: "sereis como deuses, versados no bem e no mal", assim disse a serpente infernal ao primeiro pai (ver Gn 3, 5). Que significa ser como deuses, ou igualar-se a Deus? Bem mais que criar as coisas, fazer milagres e dispor dos acontecimentos e demais infinitos poderes, significa definir o que é certo e o que é errado, definir o bem e o mal. Já pensaste sobre isso? Quantas vezes em nossas vidas, o bem e o mal, o certo e o errado foram postos ou definidos e acima de tudo escolhidos a partir de critérios diferentes do que Deus pensa e do que Deus quer! Vale uma reflexão! 

  Já comentamos o sentido do que São João nos dá ao afirmar que o "Verbo de Deus se fez carne" (Jo 1, 14) e lá falamos da fraqueza assumida, do assumir as contingências humanas, aos limites e dores, necessidades e carências. Algo impensável para um Deus? Com certeza, mas esse Deus que assumiu a natureza humana, sendo infinito e todo poderoso, sendo infinita e eternamente belo, bom e verdadeiro, fonte de toda sabedoria, bem Ele mesmo, TEM MANIA DE POBREZA E DE PEQUENEZ! Entendeste filoteu o quanto o orgulho humano cai por terra? Compreendes, portanto, que a vaidade humana é uma mentira escrachada e esculachada? Êta mentira descarada!

   Sabe filoteu, esse abaixar-se do Verbo encontra na encarnação o seu ponto inicial, mas sua manifestação, digamos visível, aconteceu exatamente na gruta de Belém em que Ele se manifestou na carne de uma criança. Pobre e pequeno. Ora, lembro-te do que ensina o grande João da Cruz, o doutor místico:

 "Ter constante desejo de imitar a Jesus Cristo em todas as coisas, conformando-se com a sua vida, a qual deve considerar para saber imitá-la e comportar-se em todas as coisas como ele se comportaria. Para poder fazer isto, é necessário renunciar a qualquer apetite ou gosto que não seja puramente para honra e glória de Deus, e ficar sem nada por amor dele que nesta vida não teve nem quis ter mais do que fazer a vontade e seu Pai, à qual chamava sua comida e seu manjar" (São João da Cruz, Ditos de Amor e de Luz, n. 158).

   Por isso, ser pobre de espírito, como Jesus nos ensina é viver bem essa imitação. Uma imitação que lança as bases da liberdade interior, aliada indispensável dos que desejam trilhar estes caminhos de cristificação. Trata-se de uma disposição de desprendimento profundo, radical e essencial a tudo que não seja Deus. Por isso, o pobre de espírito é disponível para o Reino e não está apegado a nada, a ninguém, a nenhum projeto, até mesmo à própria santidade que pensa ser santidade. Olhar, contemplar, acolher para imitar o Senhor exige que sua vida e suas escolhas, suas palavras e sua mentalidade estejam profundamente fincadas na existência de cada um dos seus discípulos e amigos, servidores e vocacionados. Imitadores, seguidores é o que tais pessoas são chamadas a ser. Ensina-nos o Senhor Jesus:

"Se alguém quer servir-me, siga-me; e onde eu estou, aí também estará o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará" (Jo 12, 26).

Para terminar, eu te digo, Filoteu algo profundamente necessário: os amores dos místicos foram o presépio, o calvário e o sacrário. Serão estes os teus amores?

Um abraço e bênção do padre.

domingo, 26 de dezembro de 2010

A PALAVRA DE DEUS ENTROU NA HISTÓRIA

Caro Filoteu!

  Volto ao tema ao redor do qual orbitamos: o tempo do natal. E por falar em tempo, tu pensaste alguma vez o quanto ele é importante para nós? Pensaste que nossa vida é toda direcionada e conduzida pelo tempo que medimos através de segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, décadas, séculos, milênios? E por que o medimos? Porque a vida transcorre e para haver um senso mínimo de organização da nossa vivência enquanto indivíduos e sociedade carecemos medir, delimitar, alargar ou encurtar os momentos que escorrem, que passam, que vivemos ou até mesmo os previstos. A isso chamamos de tempo cronológico, o tempo que se mede.

    Entretanto, há um tempo que não dá para medir em função de sua intensidade, de sua profundidade, do sentido e do valor que damos a ele. É o tempo noético. Esse tempo noético pode ser subdividido em tempo airon e tempo kairós. No tempo airon vemos a realidade do tempo vivido na intensidade de quem cumpre uma missão, vive radical de modo a imergir no que vive, no que faz, no que é. Uma criança brincando é um exemplo formidável desse tempo. E o tempo kairós é o tempo da graça, é o tempo favorável, é o tempo da salvação. Pois bem, caro filoteu, é desse tempo que agora quero falar, claro, sempre em conexão com os demais conceitos acima referidos. A esse respeito diz o apóstolo Paulo: "Quando, porém, chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher" (Gl 2, 4). O apóstolo das gentes faz um ato de fé na encarnação do Verbo eterno do Pai que, por sua vez, São João dirá: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos sua glória, glória que ele tem junto ao Pai como Filho único, cheio de graça e verdade" (Jo 1, 14). Ao falar da carne assumida pela Palavra eterna de Deus, o evangelista nos diz que o Verbo não assumiu a carne paradisíaca de Adão, o qual nos é apresentado independente, autônomo e pleno assim que surge, ou melhor, assim que é criado. Carne designa a condição de fraqueza e de mortalidade. E por ser um ser de carne, um ser humano, estamos diante de um ser temporal, sujeito aos efeitos do tempo que passa inexoravelmente para todos. Tu pensaste nisso, Filoteu? Ele foi embrião, feto, menino, pré-adolescente, adolescente, jovem e adulto. Como eu e como tu (que és ou ainda percorrerás as demais etapas da vida, cadenciadas pelo tempo). Quando Lucas nos coloca Jesus nascendo em tempos de um recenseamento, o do imperador romano César Augusto ( de 30 a.C. até 14 d.C.), Jesus é posto na história (veja Lc 2, 1). E mais, o evangelista nos afirma que ao inserir no tempo e no espaço, nos fala da grande verdade da encarnação do Verbo eterno do Pai. Ele entrou na história, na minha história, na tua e nossa história e a transformou em uma história de salvação. Na temática lucana, tal edito imperial, um capricho ou uma estratégia organizacional do grande monarca, nos desígnios da providência, visava confluir no cumprimento das profecias. Desta feita, obrigados por esta imposição, José e Maria foram a Belém para recensear-se, pois José era da casa e família de Davi (Lc 2, 3-4).  O autor da carta aos Hebreus comenta: "Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos" (Hb 1, 1-2).
    O que seria então essa plenitude dos tempos a que se refere Paulo? Por que esse tempo e não outro? Com certeza, tempos previstos por Deus, definidos por Deus, estavam nos seus desígnios.
     E por que Belém? Disse o profeta Miquéias: "E tu Belém, terra de Judá, de modo algum és o menor entre os clãs de Judá, pois de ti sairá um chefe que apascentará Israel, o meu povo" (Mq 5, 1). Belém é cidade de Davi, cidade real, cidade do pastor. Vindo da descendência de Davi e de Abraão, é o grande messias prometido. Nele cumpre-se a profecia. Introduzido nesta linhagem genealógica (ver Mt 1, 1-17), a Palavra eterna assume a nossa história, uma história cheia de percausos, de pecados, tragédias e contradições. E oferece a oportunidade de que escrevamos essa história não com os borrões e rasuras de tanta infidelidade ou de tanta corrupção, mas com a tinta vermelha de seu sangue humano e tão precioso que nos salvou e resgatou.

   Por isso, caro filoteu, faço minhas as palavras de Bento XVI: "no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo" (Deus caritas est, 25dez2005,  217-218). Na última encíclica, o papa, lembra que a Palavra não é apenas audível (não apenas se ouve a Palavra), mas tem um rosto, isto é, podemos ver Jesus de Nazaré (Verbum Domini, n. 12).
    Não foi por acaso isso que João, o discípulo amado, nos ensinou com sua impressionante e tão vibrante experiência a respeito do Verbo encarnado? Passo-lhe a palavra, e com ele encerro minha reflexão: "O que era desde o princípio, o que vimos e ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida - porque a Vida manifestou-se: nós a vimos e lhe damos testemunho e vos anunciamos para que estejais em comunhão conosco" (1Jo 1, 1-3).
   Pensa nisso, pensa bem nisso, e faz do teu tempo, um kairós, um airon e não meramente um vazio cronos.
    Um abraço e bênção do Pe. Marcos.

UM MENINO NOS FOI DADO!


Oi Filoteu! Estava meio ausente, mas não poderia deixar de te enviar minha mensagem de Natal. Estou postando na festa da Sagrada Família, mas em vista que o Natal tem oitava, isto é, comemora-se na liturgia por oito dias, então ainda dá tempo.

Caro amigo, a profecia de Isaías, (9, 1) de que o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, a mesma luz que raiou para os que habitavam uma terra sombria como a da morte, bem essa profecia é para mim e para ti. Aquilo que se dizia do Batista, que ele não era a luz, mas veio dar testemunho da luz (Jo 1, 8) é a verdade que precisamos assumir. Que diremos mais? "Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, ele recebeu o poder sobre os ombros, e lhe foi dado ete nome: Conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-eterno, Príncipe-da-paz" (Is 9, 5). Foi o mesmo que o anjo afirmou aos pastores: "Não temais! Eis que vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo-Senhor, na cidade de Davi. Isto vos será dado como sinal: encontrareis um recém-nascido envolto em faixas deitado numa majedoura" (Lc 2, 10-12).

Que nos resta fazer? Tomemos a decisão dos pastores e com eles afirmemos e façamos o que disseram: "Vamos já a Belém e vejamos o que aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer" (Lc 2, 15). O que é Belém? Casa do pão é o seu significado etmológico. Casa da Eucaristia, casa do sustento diário, do nutrimento indispensável. Casa do encontro ao redor da mesa.  Imagem do que somos chamados a ser. Belém era a terra de Davi, o rei-pastor, um rei segundo o coração de Deus.

Mas, ao invés e nascer no palácio luxuoso, como é comum aos príncipes e aos reis, o menino foi encontrado deitado na manjedoura. Com certeza, um lugar pobre, marcadamente precário, sem conforto, quiçá, mau cheiroso. Presenças sublimes como a de Maria e e José enobrecem imensamente esse ambiente. A presença do Menino, vixe, nem se fala, pois eterniza, diviniza, ilumina ao infinito aquela pobre manjedoura! Outras presenças não podem passar des-percebidas; a dos pastores, homens marginalizados e dos animais que lá estavam, nos recordam que nossas sombras, nossas paixões, nossas fraquezas, tudo isso também faz parte do ambiente. O cenário é de pobreza, é bom frisar e insistir, mas foi nesse lugar que o Todo-Poderoso quis chegar.

Teu coração, caro Filoteu é essa gruta. E o Menino que é Deus com o Pai quis contigo se entreter, quis contigo viver e morar. Agora enquanto és peregrino e depois para sempre no Céu. Já pensou? Entra na tua Belém e adora aquele que os astros não podem conter. Entra na tua gruta e venera com devoção teu Salvador e Senhor. Toma-O nos braços e olha-O dormindo candidamente ou chorando de fome querendo mamar. Ou chorando por ter feito cocô ou xixi. Ou rindo para ti com aqueles olhinhos pequeninos, aquela boquinha aberta pelo bocejo do sono quase interminável dos recém-nascidos. Adora tanta humildade de um Deus assim grande e deixa-te amar por essa presença santa, por essa salvação desconcertante e tão indescritível bondade. Um mistério que só nos resta adorar, de joelhos e em silêncio.

Concluo com as sábias palavras de São João da Cruz, o doutor místico: "Uma palavra disse o Pai, que foi seu Filho; e di-la sempre  no eterno silêncio e em silêncio ela há de ser ouvida pela alma" (Ditos de Amor e de Luz, n. 98).

Vinde e Adoremos!

Um abraço e feliz Natal!

Pe. Marcos.

PS: Falarei ainda sobre esse assunto e retomarei o tema das demais bem-aventuranças.

domingo, 21 de novembro de 2010

bem-aventurados os que choram! E cadê a alegria?



Bem-aventurados quer dizer felizes. Já vimos isso. Mas, felizes os que choram!  Pode? Como se explica? Infelizmente, as pessoas entendem alegria somente como estar sempre rindo, viver altas satisfações, estar na crista da onda, onde não há dificuldades, onde as facilidades da vida parece que apagaram toda sombra de dor ou os desafios praticamente foram postos no bolso. No fundo, tudo isso é ilusão. O sofrimento bate a porta de todos, inclusive daqueles que tentam preencher seu desejo de felicidade com coisas passageiras. Tentam segurar, tentam prolongar, tentam agarrar, mas elas passam, sempre passam. Não são eternas!

Mas, existe uma consolação para os que choram: dada por Deus (nada mais, nada menos do que Ele: o todo Poderoso, o Eterno, o Santo); Serão consolados, promete o Senhor.não é consolação dada pelo dinheiro, nem pelos prazeres da comida, do sexo, do repouso, do conhecimento, do prestígio, da fama ou do poder.

Olha Filoteu, os que choram aqui definidos não são os desesperados, os desencantados com a vida, com os outros ou com os acontecimentos. Não é uma questão de sentir patologicamente um prazer meio doido pela dor (isso não é sadio). Os que choram e são felizes são aquelas pessoas inquietas, incomodadas e até sofridas com a situação do mundo que está longe de Deus, está se desumanizando, pelos sofrimentos dos outros, porque as coisas não são como deveriam ser. É certo que sempre haverá problemas ou as coisas não seguem o rumo correto. Mas, quem vive esta bem-aventurança não se acomoda, sabe viver a sadia inquietude que o leva a rezar, trabalhar, fazer alguma coisa para fazer a diferença e oferecer soluções. Deus consolará estes seus amigos, haja vista que os problemas do mundo, são os problemas de Deus e por consequência, são também dos que amam e servem a Deus. Não é desespero, não é desesperança, não é descontrole, não é uma questão de falta de confiança ou serenidade. Trata-se de sensibilidade, abertura, atenção, delicadeza, solidariedade, senso de responsabilidade. É uma questão de comunhão e participação.  São Paulo nos ensina: "Alegrai-vos com aqueles que se alegram, e com os que choram, chorai" (Rm 12, 15). No fundo, quem chora, sabe com certeza que "as tribulações do tempo presente não têm comparação com a glória vindoura" (Rm 8, 18). Assim sendo, não se trata de um sofrimento inútil ou de uma inquietação estéril. Tudo isso, unido ao sofrimento de Cristo na cruz haverá de produzir muito fruto e gerar tanta salvação. É uma questão de fé!

Olha,se tu puderes dar uma olhadinha na postagem sobre São Francisco onde eu me refiro à perfeita alegria, ensinada pelo poverello, você terá uma idéia mais clara sobre o que é a perfeita alegria.

Um abraço e bênção do Padre.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Essa felicidade estranha....!? ser pobre! Vixe!


Ei Filoteu! Veja só esse caminho bastante inusitado para ser feliz. Bem, eu inventei o papo pirado e Jesus inventou mesmo foi a COMPLETE PIRATION! Pense! Ser feliz é que ele chama de "bem-aventurado" lá no Evangelho de Mateus, capítulo 5, versículos 1 em diante. Ali, brother é um negócio RADIOATIVAMENTE CHERNOBÍTICO elevado à enésima potência!!!!!! Eletrocutagem e ventilador ligado no 3!!!!!!!!

Quem é feliz é o pobre. O tal do Justo Veríssimo disse que tinha horror a pobre! kkkkkk. Pois é, Jesus gosta e gosta muito. E diz que feliz mesmo é quem é pobre. Quando se fala de pobreza a turma pensa logo em dinheiro, carro, casa, salário, ou seja se o fulano é ou não cheio da grana, ou tem umas graninhas por aí. Errado. Pobre de espírito é quem confia em Deus, espera nele e coloca sua confiança e segurança somente no Senhor. E isso, independente do que se tem. Daí, já viu. Esse fulano, o tal do pobre, não está endoidando com as contas, mas se satisfaz com pouco, isto é, o necessário (em termos materiais). Partilha e não vive aquela postura Tio Patinhas de ser "mão de vaca". Entenda outra coisa: não é só partilhar coisas materiais, mas também o afeto, o tempo, os talentos, enfim, a própria vida. Ninguém é rico só de dinheiro, mas também as riquezas podem ser de saúde, de inteligência, etc. Ei, e a fé, é uma riqueza? E das grandes! Não partilhá-la, imagine o que vem a ser....!!! "Ser pobre, - diz o Moysés - é estar abandonado nas mãos de Deus". Por isso, eu coloquei esse rapaz aí meio pulando de braços abertos! Claro, Deus cuida e nesse cuidado vivemos e somos, fazemos e acontecemos. Entretanto, fazendo tudo o que está ao nosso alcance como se tudo dependesse de nós, depois entregamos tudo a Deus como se tudo dependesse d'Ele. . Por isso, ser pobre é ser feliz, viver tranquilo e não ficar morrendo por aí com preocupações. Devemos estar ocupados e não preocupados. O pobre é um desapegado. De si mesmo, de projetos, de saberes, de pessoas, de coisas, de lugares e de tempos, da opinião das pessoas, da própria imagem, instituições e tarefas, cargos ou privilégios. Desprender-se não quer dizer desprezar. É dar o justo valor a cada criatura, absolutizando apenas Deus. Não é à toa que a Teresona (aquela de Ávila) disse "Só Deus basta!"; E aquele pobretão arretado e descomplicado chamado Francisco (aquele de Assis) disse, "Meu Deus e meu tudo".
Alguém diz: vixe! isso é difícil. Bem, com certeza é difícil, mas quando a gente quer, mesmo, acho que muita coisa acontece. E a graça de Deus sempre ajuda, não é mesmo? Um fulano disse: Quando a gente quer uma coisa, a gente encontra os meios. Quando a gente não quer, encontra desculpas. Tremi nas bases! Tooome!
Morou? Sacou? Bem, essa é a primeira. As outras, bem, eu converso depois.
Abração e bênção!

sábado, 16 de outubro de 2010

Passos para rezar com a Palavra de Deus


"Senhor, ensina-nos a rezar!"

Esse foi o pedido que os discípulos fizeram a Jesus, quando o viram tão entretido com esses diálogos com o Pai. Isso os fascinava e os deixava curiosos sobre o que o Mestre tanto fazia quando se retirava em lugares desertos. Tempos depois, Paulo iria escrever aos Tessalonicenses: "ORAI SEM CESSAR" (1Ts 5, 17).

Bem, dou-lhe umas dicas sobre oração. Encontrei em um texto que me deram em um retiro. Espero que ajude!

PASSOS PARA A ORAÇÃO:

1. PREPARAÇÃO

 01. Horário/Tempo: Estabeleça um tempo e seja fiel ao tempo estabelecido.
02. Lugar: escolha um lugar recolhido para a oração e evite mudá-la facilmente.
03. Posição corporal: Pode ser qualquer uma, desde que ajude no recolhimento.
04. Acalme-se: Pode ser de vários modos. ouvindo os sons de longe e de perto; tomando consciência do que sente em cada parte do corpo..., olhando um certo tempo para um ponto fixo, ir repetindo uma palavra, etc.

2. A ORAÇÃO PROPRIAMENTE DITA

05. Coloque-se na presença de Deus: Procure reaviver o reconhecimento que Deus está presente e é Alguém.
06. Oração preparatória: Formular uma oração que expresse o seu desejo de estar aí para Deus, escutá-lo, acolhê-lo e viver sua Palavra santa. Colocar tudo nas mãos de Deus: pensamentos, preocupações, etc.
07) Pedido de graça: Peça a Deus que o ilumine com a ação do Espírito Santo para entrar na oração. Seja disponível para Deus, alcance o que deseja e acolha o que Nosso Senhor deseja lhe dar.
08) Leia o texto: Leia o texto pelo menos umas três vezes, com voz alta. Se o texto for longo, divida-o em partes, procure entendê-lo.
09) Aprofundar: ao ler o texto, uma palavra, uma imagem ressoará mais forte. Comece por aí o aprofundamento. Associe esse texto a outros textos e às coisas da vida. Vá refletindo, meditando...
10) Rezar: Depois de refletir, pare diante daquilo que mais lhe chamou a atenção. O que mais o tocou? Viva esse momento envolvente louvando, agradecendo, pedindo, saboreando. Deixe seu coração se expressar a partir do que foi experimentando. Dialogue com Deus, peça a intercessão e Maria Santíssima, dos santos de sua devoção. Que o diálogo com o Senhor seja livre, aberto, sincero. Você pode terminar esse momento com uma oração vocal (Pai Nosso, Ave-Maria, etc).

3. AVALIAÇÃO


11) Revisão da oração: Após o exercício convém rever o que se passou durante o tempo da oração. Importa rever pensamentos, sentimentos, apelos dificuldades e anotar.

Dizia Santo Inácio a respeito da experiência orante dos Exercícios Espirituais:

"Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma e sim saborear internamente as coisas".

Um abraço pra você, Filoteu de Betânia. Que Deus lhe faça uma pessoa orante.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Política: um tempo de reflexão e escolhas!

Vive-se um tempo marcado por um grande evento: as eleições. Com efeito, é um tempo importante, decisivo, capaz de colocar representantes do povo e governantes os quais prestarão o serviço da autoridade (esperemos que não seja um uso irresponsável do poder). Falo de autoridade pois a palavra quer dizer: Auctoritas: "aquele que faz o outro crescer"

Várias coisas preocupam: as idéias, os oportunismos eleitoreiros, a corrupção, as mentalidades, o jogo de interesses, os contra-valores. Alguns bispos têm alertado a respeito do risco de termos novos Herodes, abrindo brechas para que inúmeros inocentes sejam cruelmente assassinados. Além disso, a corrupção, as pressões e opressões tendem a aviltar o jogo democrático. A festa democrática não deve descambar em um velório democrático.

Preocupa também os novos eleitos para o congresso: o palhaço Tiririca (será que sabe ler e entende o que leu?), gente de má índole (fichas sujas ou notoriamente envolvidos em corrupção) e outros sem competência, além de gente que nega fatos consumados, comprovados ou vivem contradições grosseiras, na patética tentativa de negar evidências. É preocupante que haja políticos exageradamente incomodados com a liberdade de imprensa ou desgostosos em ouvir qualquer pensamento ou posicionamento diferente ou dissonante do seu. Se tem eleitor que é alienado (não acompanha a política, não analisa o histórico dos candidatos ou vota usando critérios tolos e infantis ou marcados pela maldade mesmo), por outro tem muito eleitor corrupto (vende o voto por dinheiro e outros favores). Isso trava as possibilidades de crescimento e avanços efetivos de um país. Não somente em termos de PIB ou mesmo de distribuição de renda, mas também em termos de ética, de respeito pelo verdadeiro bem comum, pela justiça e honestidade, retidão e transparência. Entre os políticos parece que quem não entra no jogo da corrupção, da compra de votos através de favores e agrados, não tem vez para ganhar uma eleição. É como se não houvesse espaço para gente séria, do bem, com boas intenções e devida competência para honrar o parlamento e o executivo, engajados na busca do bem de todos e não só de uma curriola. É alarmante a hipocrisia e a mudança de opinião em função das conveniências eleitoreiras.

Os rumos do país estarão nas mãos da pessoa que será eleita para estar à frente do executivo nacional, no segundo turno destas eleições. Os debates se acirram; contrapõem-se as idéias, os projetos, a história e os valores dos candidatos. Precisamos pensar, avaliar e escolher com seriedade. O Brasil, pátria amada e mãe gentil, precisa de pessoas comprometidas com o bem comum para fazer desta nação uma grande família, onde o progresso e a prosperidade aconteçam com o respeito à liberdade de expressão, bem como na defesa férrea dos direitos inalienáveis de todos os homens e mulheres, cidadãos e cidadãs desta terra de santa cruz.

Perfeita Alegria! Pode???



Caro Filoteu:

São Francisco de Assis falou da perfeita alegria. E ele tem um jeito muito diferente, pra não dizer fora dos padrões, de entender ou explicar o que é alegria. E ainda mais, uma alegria perfeita. Pois bem: ser alegre de verdade, não tem nada a ver com as alegrias que se fala por aí. Existe alegria que passa pelas desfigurações da cruz para levar à transfiguração da ressurreição e tem alegria sob efeito de euforias vazias que gera mais vazio e depois a morte. O pobre de Assis entrou no mistério do Cristo crucificado, escarafunchou o que pode, assumiu e assimilou em sua vida tal mistério, e veio a identificar-se com Nosso Senhor para com Ele vencer. O Chiquinho foi um homem cristificado. E tem algo mais importante que isso? Perfeita alegria, o que é isso?

Muitos anos atrás, quando eu nem seminarista era (é o noooovo!!!) tomei parte de liturgia onde aconteceu a consagração de uns frades. E lá, entoaram uma canção que me impressionou. Guardei comigo, a letra e nestes tempos em que se fala tanto em Francisco e Teresa, resolvi transcrever. O nome da música é:

A PERFEITA ALEGRIA

Cai a tarde e inverno impiedoso e Francisco e Leão sob a neve caminham. Vão tornando a Santa Maria com fome e com frio ao final de outro dia. Frei Leão vai na frente ligeiro. Frei Francisco o chama e lhe diz: "Frei Leão tome nota se queres saber o que é a perfeita alegria.

Se nós tivermos a graça de Deus, de pregar o Evangelho e a Cruz, e por obras e exemplos pudermos levar a Jesus, e convertermos os homens à fé, até mesmo os de mau coração, Frei Leão, isto ainda não é a perfeita alegria.

Imagine Leão, que Deus nos tenha a graça e a todos curar, de fazer ver os cegos, e aos coxos anar, surdos ouvir e mudos falar, e que até os demônios fugissem ao comando de nosso olhar, e que os mortos nós ressuscitássemos... isto não é a perfeita alegria.

E se falássemos todas as línguas, com o dom de bem comunicar, transformando os reinos da terra em reinos de paz, e se soubéssemos toda a ciência, e os segredos da terra e do mar, Frei Leão, isto ainda não é a perfeita alegria".

- "Mas, então, Pai Francisco, o que é a perfeita alegria?"

"Se ao chegarmos ao nosso convento e batermos depressa esperando entrar, e o porteiro do lado de dentro, ao invés de abrir põe-se assim a falar: 'Quem sois vós que assim importunos, nesta hora nos incomodais?' Somos nós teus irmãos Frei Leão e Francisco que chegam e querem entrar.

E Frei Leão se o porteiro disser, que é mentira e que não abrirá, que encontremos um outro lugar em um canto qualquer. E se nós diante da porta fechada, sob a noite e a neve que cai, conservarmos a Paz, isto é a perfeita alegria.

Mas se nós insistirmos em prantos que abra, que tenha piedade de nós, pois com fome e tão necessitados, na noite não temos consolo e lugar. E se então o porteiro sair, empunhando um bastão e gritar, e bater em você e em mim muito mais, nos deixando no chão a chorar...

E Frei Leão se for Deus quem tal faz, que nos deixa na noite e na cruz, se entendermos que este abandono imita Jesus. E se nós diante da porta fechada, sob a noite e a neve que cai, conservarmos a Paz isto é a perfeita Alegria".

Tire você suas conclusões. Um abraço e a bênção do Pe. Marcos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Mãe negra desta gente brasileira!


12 de outubro. Feriado nacional. Por qual motivo? Todo mundo sabe. Uma nação, já nem tão católica assim, mas ainda marcada pela fé herdada dos antepassados, celebra a Mãe de Deus, feita Mãe dessa gente. Encontrada nas redes de pobres pescadores, primeiro o corpo, depois a cabeça, a Virgem Imaculada, bem pretinha, chegou chegando. Chegou pra ficar. Começou logo enchendo as redes de peixes. Era só o início de uma longa história de amor entre uma Mãe e seus filhos. Filhos marcados pela fé, pela luta, por desafios os mais diversos. E essa Mãe, é nada menos que Maria, a gloriosa Senhora que veio fazer história, transformando a história deste povo em história de salvação.

As redes são a repetição do Evangelho onde, lançá-las em águas mais profundas é sempre um convite a não parar na mesmice, ou seja, é preciso avançar e desbravar novos caminhos, novas estradas, suscitar um novo tempo. Lançar as redes significa sempre criar oportunidades e aproveitar as que existem. Lançar as redes significa deixar-se envolver pelas infinitas possibilidades de Deus para que sua vontade aconteça e gere salvação. A esta Terra de Santa Cruz, aprouve a Deus não deixá-la órfã de Mãe. É isso aí: temos Mãe! Ela apareceu entre nós e veio para conosco permanecer e ajudar-nos a construir uma história diferente. APARECIDA! Só nos resta agradecer, agradecer muito pois Ela é dom, Ela é presente e presença, Aquela que faz a diferença, aumentando nossa crença, que de Deus faz acontecer a pertença, a Virgem Mãe de Deus. A pretinha deixou-se prender pelas redes e, hoje, deixa-se prender pelas redes do nosso coração. Como João, o discípulo que Jesus amava, levaremos a negrinha pra casa e com certeza teremos, na presença dela, a eterna memória de que o segredo é nunca deixar de fazer o que Jesus nos mandar. Receba Ela nossa homenagem de filhos!

A propósito de filhos, conta-se na história de São Bernardo, um grande devoto de Maria, que viveu no século XII, ter-lhe aparecido a Virgem Maria. Voltando-se a Ela suplicou o grandee monge: "Maria, mostra-me ser minha mãe". Em resposta da grande Senhora, ele ouviu a réplica: "E você Bernardo, mostre de ser me filho".

Filho de gato é gatinho. O filho de Maria é Jesus e, por favor do Cristo moribundo na cruz, filho de Maria é também todo aquele que busca ser como Jesus. Através de Maria, somos irmãos de Jesus, também por parte de Mãe!

Um abraço pra você, Filoteu de Maria!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Eu pedi a Deus um pouco de malandragem!


ACONTECEU COMIGO! Estava eu com alguns alunos que pegaram o violão e cantaram essa música do Cazuza e do Frejat, interpretado por Kássia Hellen que dizia:

Eu só peço a Deus Um pouco de malandragem Pois sou criança e não conheço a verdade Eu sou poeta e não aprendi a amar...  Eu só peço a Deus/Um pouco de malandragem /Pois sou criança e não conheco a verdade.../Eu sou poeta e não aprendi a amar...

Parei pra pensar! Achei ousado esse pedido. Caraca! malandragem é de verdade coisa pra se pedir a Deus? Continuei pensando: E se a gente esticar o sentido da palavra? Se malandragem for esperteza, senso de oportunidade e saber de verdade aproveitar de tudo para ampliar as possibilidades. Uhhhhhhhhhhhh uahuaua! EUREKA! ACHEI! Bem, então a coisa pode até mudar de rumo ou de sentido! pense na poeira sideral!

- SAQUEI LOGO: A TERESINHA! sim nesse sentido ele era uma malandrinha!
- O QUÊ?????????? Ficou doido, seu padre?
- Ora bolas, é  ISSO MESMO, POR QUE NÃO? Claro, ela captou logo que nas pequenas coisas seria possível amar a Deus, viver uma grande amizade com ELE, dar-se a ELE e cooperar com a sua vontade imensa de salvar as almas. O desejo que Deus tem de salvar a humanidade é do tamanho dele mesmo, em suma, é INFINITO!!!!  Jesus tem sede e o jeito de matar essa sede é ajudar na salvação dos irmãos. Como? Pra ela que era uma menininha, o bizú era aproveitar-se das pequeninas coisas do dia-a-dia. Nada era desperdiçado e tudo se transformava em oferta: orações, sacrifícios, renúncias, alegrias, dores, gestos, trabalhos, etc.. A mediocridade não tem vez nem voz aqui! Ela quis ser a vítima do AMOR MISERICORDIOSO e dessas coisitas feitas por amor e com amor, ela se tornou uma grande santa. E não só isso, mas Deus concedeu-lhe a dignidade de doutora da infância através da Igreja.

VIVER A PEQUENEZ NÃO É UMA CRIANCICE BOBA, MAS COISA DE GENTE PEQUENA, POBRE, SIMPLES, CONFIANTE e por isso mesmo gente de CORAGEM PARA VENCER O PRÓPRIO ORGULHO E DAR-SE A DEUS INCONDICIONALMENTE.

E a malandragem da menina fez dela uma gigante!

Senhor dai-nos um pouco da malandragem da menina, pois queremos aprender a amar!

Um abraço pra você filoteu e que Deus faça de você um malandro (no bom sentido da palavra, claro), viu?

FRANCISCO, O IRMÃO MENOR.


FRANCISCO, O IRMÃO MENOR, O IRMÃO DE TODOS. Este mês de outubro fazemos memória de grandes amigos de Deus. Recordá-los é um jeito concreto de ser amigo de Deus também. A vida dessa galera esperta e ligada no que interessa e não tem pressa é algo decisivo para meter as caras e conquistar a vitória.

ISSO MESMO! Amigos de Deus são sempre vencedores e com eles aprendemos o seguinte, (segura essa aí, ó:) DEUS NOS CHAMOU NÃO TANTO A SERMOS UM SUCESSO. DEUS NOS CHAMOU A SER FIÉIS! Por isso, vitorioso não é quem está lá na crista da onda, quem abafa e acontece, que tem prestígio e é bem falado. O vitorioso, aos olhos de Deus é a pessoa que vive com fidelidade o que DEUS QUER. Por isso, lá na cruz, Jesus é um fracassado, um aniquilado, um marginalizado, o homem das dores, enfim, você já sabe filoteu que o crucificado é sempre um crucificado. Mas, isso a olho nú, no olhar humano. No entanto, ELE ERA UM VENCEDOR! Por sua fidelidade e obediência, a rebeldia de Adão estava reparada e vencida. A humildade abre caminhos de vitória e de glória.

FRANCISCO foi um fulano que entendeu e assumiu com generosidade esse caminho de cruz. E isso aconteceu de tal modo na pessoa dele que os sinais da paixão se cravaram em sua carne. ERA UM CRISTO VIVO! E quer saber? É isso que conta. O garotão folgazão deixou de lado os confortos da casa paterna quando se encontrou com aquele leproso. Na verdade Ele se encontrou com CRISTO. E daí tudo mudou. Abriu-se para Francisco o caminho da minoridade. Ele quis ser o IRMÃO MENOR. A consequência disso é que da MINORIDADE, brotou a FRATERNIDADE. Pequeno e pobre, menor e servidor, orante e evangelizador, ele tornou-se irresistível. O bom odor de Cristo tornava Francisco atraente, fascinante. As pessoas, enfastiadas de contemplar o triste espetáculo das corridas pelo poder e pela busca dos bens materiais, vividas pelos eclesiásticos, passaram a crer que o EVANGELHO É POSSÍVEL. Não se trata de utopia vaga, distante. AMIGOS E DISCÍPULOS DE JESUS seguiram os passos do "poverello" e uma nova história passou a ser escrita. Um novo oxigênio de evangelho passou a ser inalado de modo que uma estrada se abria para os generosos e apaixonados pelo Mestre de Nazaré.

Olha Filoteu, agora, eu passo o microfone para o Francis, para que ele fale:

"Ó como são felizes e benditos aqueles que amam o Senhor e fazem o que o mesmo Senhor diz no evangelho (...). Amemos, portanto a Deus e adoremo-lo com coração puro e mente pura porque, acima de tudo, disto está ele à procura. (...). E amemos o próximo como a nós mesmos. Tenhamos caridade e humildade e façamos esmolas, já que estas lavam as almas das nódoas dos pecados. Os homens perdem tudo o que deixam neste mundo. Levam consigo somente a paga da caridade e as esmolas que fizeram; delas receberão do Senhor o prêmio e a justa recompensa. Não nos convém sermos sábios e prudentes segundo a carne, mas temos antes de ser simples, humildes e puros. Jamais desejamos ficar acima dos outros, mas prefiramos ser servos e submissos a toda criatura humana, por causa de Deus. Sobre todos os que assim agirem e perseverarem até o fim repousará o Espírito do Senhor e fará neles sua casa e mansão. Serão filhos do Pai celeste, pois fazem suas obras e são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo".

Aí está, Filoteu, um exemplo de uma alma esposa, um fulano cristificado. Tire suas conclusões....

Um abraço do Padre.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Teresinha, aquela do Menino Jesus!


SANTA TERESINHA: um nome no diminutivo. De propósito! Por quê? Ela entendeu que se não for pequena e não viver a infância espiritual a vida seria muito complicada. A santidade para a pequena, não é algo muito distante ou privilégio de poucos. A pequena-grande sacou numa boa uma coisa: "Almas simples não necessitam de meios complicados" (Manuscritos Autobriográficos, Manuscrito C, cap.XI, 33v).

E nessa confiança, a leitura que ela faz é a seguinte: "Assim como o sol clareia ao mesmo tempo os cedros e cada pequena flor, como se na terra, só ela existisse, assim, também Nosso Senhor se ocupa em particular de cada alma como se não houvesse outra semelhante: e como na natureza todas as estrações se dispõem de molde a fazer desabrochar na data prevista a mais singela margarida, assim também todas as coisas estão proporcionadas ao bem de cada alma" (Manuscritos Autobriográficos, Manuscrito A, cap. 1, 3). Muito tempo antes, o apóstolo Paulo disse: "Tudo concorre para o bem daqueles amam a Deus" (Rm 8, 28).

Das suas correspondências, uma delas escrita ao Padre Bellière, a santa fala de um jeito bonito, cheio de ternura e profundidade a respeito da pequenez: "Quando tiver chegando ao porto, vou ensinar-vos, irmão querido de minha alma, como deveis navegar no mar tempestuoso do mundo com o abandono e o amor de uma criança que sabe que seu Pai a quer bem e que não poderia deixá-la sozinha na hora do perigo. Ah! Como gostaria de vos fazer compreender a ternura do Coração de Jesus, aquilo que ele espera de vós..." (carta n. 258).

Teresinha, muito esperta, enxergava no elevador uma imagem do amor que a eleva com mais facilidade até Deus (na carta 258 ela afirma isso).

Ela entendeu que os grandões são volumosos,poderosos, autosuficientes e se garatem demais! Ela captou que Deus não precisa de super-heróis ou de gente auto-suficiente. Os pequenos são como os hobbits lá do Senhor dos Anéis: fazem a diferença para destruir o anel do poder que escraviza e amarra.

Claro, ser pequeno é desafiante pois o orgulho humano morre três dias depois do defunto, mas nada que a graça de Deus e o esvaziamento do Verbo de Deus não consiga reverter no coração humano! Confiança e coragem pra meter as caras!

Um abraço e pense nisso!


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A PARÁBOLA DO AQUÁRIO

11627aquario Era uma vez um aquário onde viviam peixes grandes, médios e pequenos. Ali imperava a lei do mais forte. Os alimentos atirados pelo Criador eram disputados. Primeiro comiam os maiores. O que sobrava destes era devorado pelos médios. E o que sobrava dos médios era devorado pelos pequenos. Na falta de outro alimento, os grandes devoravam os médios e estes, por sua vez, devoravam os pequenos. Ora, havia um peixinho muito pequenino, que morava no fundo do aquário, onde estava a salvo da fome e da gula dos demais. Ali, naquelas profundezas, poucas vezes caía algum alimento. Mas, o peixinho, ao invés de maldizer a sorte, enganava a fome distraindo-se a contemplar os desenhos dos azulejos, as plantinhas, a areia branca e as pedrinhas brilhantes que enfeitavam o fundo do aquário. Um belo dia, o peixinho descobriu um ralo, por onde saía a água do aquário. Admirado, exclamou: "Ué! Então este aquário não é tudo? Existe outro lugar onde se pode viver? Para onde irá essa água que não pára de correr? E, o peixinho, curioso, tentou passar pelo ralo. Como os vãos fossem muito estreitos, ele se dispôs a fazer sacrifícios e emagrecer até passar para o outro lado. Foi assim que, dias mais tarde, bem mais magro e ainda assim perdendo algumas escamas na travessia, ele conseguiu seu intento. E foi assim que ele conheceu, pela primeira vez na vida, o que é a água corrente. - Uma delícia! Uma maravilha! O peixinho ia pulando feliz pelo rego da água, deslumbrado com tudo. E o rego da água levou o peixinho até uma enxurrada... Na enxurrada, mais água ainda. E a correnteza mais forte. Não era preciso nadar. Bastava soltar o corpo. Que maravilha! Quantos peixinhos livres! Quantos barquinhos de papel! E o sol??? Que coisa linda! E aqueles bobos, lá no aquário, pensando que aquilo fosse tudo, aquela água suja e parada. Coitados!!! E a enxurrada levou o peixinho a um riacho. E o peixinho nunca pudera imaginar tanta água de uma vez. Nunca vira crianças nadando. Nunca vira mulheres lavando roupa e cantando. Nunca pudera ver tantas plantas, tantas flores, tanta beleza junta! E julgou que estivesse delirando. Quanta comida, quanta água, quanto lugar onde viver em paz, quanta felicidade para todos! Ah! Aqueles pobres diabos lá no aquário ... se vissem tudo isto! E o riacho levou o peixinho até o rio. Não. Não é possível! Isto não existe! Olha quanta água! Parece não ter fim. Quanta comida! Quanto sol, quanta luz, quanta beleza! E foi assim, extasiado, maravilhado, deslumbrado, quase não acreditando em seus próprios olhos, que o peixinho, levado pelo grande rio, chegou enfim ao mar. Ali, diante daquele infinito de águas, de alimentos, de luz, de cores, de plantas, de um mundo de coisas maravilhosas, diante daquela majestade toda, o peixinho chorou. Chorou comovido, agradecido, porque a alegria era tanta que não cabia dentro de si. E chorou, sobretudo, de pena de seus coleguinhas, grandes e pequenos, que haviam ficado lá no aquário, naquelas águas poluídas, escuras, pardas, estragadas, espremidos, pensando viver no melhor dos mundos. E o peixinho, então resolveu voltar e contar a boa nova a todos. E o peixinho voltou. Do mar para o rio (sacrifício, porque agora a viagem era contra a correnteza). Ele nadou para o riacho, para a enxurrada e da enxurrada para o rego e do rego para o fundo do aquário. E atravessou o ralo de volta... Desse dia em diante, começou a circular pelo aquário um boato de que havia um peixinho contando coisas mirabolantes, falando de um lugar muito melhor para viver, um lugar de amor e paz, um lugar de fartura infinita, onde ninguém precisa fazer sacrifício, nem se devorar uns aos outros. E todos acorreram ao fundo do aquário para saber da novidade. Os grandes, os médios, os pequenos, todos os peixes queriam saber o que era preciso fazer para chegar a esse mundo maravilhoso... E o peixinho, mostrando-lhes o ralo, explicou, que para chegar ao outro mundo, era preciso algum sacrifício, pois a passagem era realmente estreita. Segundo o tamanho, uns teriam de sacrificar-se mais, outros menos. E os peixes pequenos passaram, a seguir, a escutar o peixinho, enquanto os médios e os grandes, sobretudo, consideravam-no maluco, um visionário. Onde já se viu? Impossível passar por aquele vãozinho tão estreito! Só um louco mesmo! E a história do peixinho se alastrou. De tal maneira se alastrou e pegou, que modificou a vida no aquário e perturbou o sossego dos peixes grandes e médios, que estes acabaram por matar o peixinho para acabar com aquelas besteiras. Mas o peixinho não morreu. Continuou vivendo, pois sua mensagem imortal, passava de geração em geração... Até hoje, a história do peixinho é lembrada no aquário. Até hoje, há os que crêem. E até hoje há os passam pelo ralo e os que jamais conseguirão fazê-lo, porque, quanto maior e poderoso, tanto maior será o sacrifício exigido. E por isso está escrito:
"EM VERDADE, EM VERDADE VOS DIGO: É MAIS FÁCIL UM CAMELO PASSAR PELO FUNDO DE UMA AGULHA DO QUE OS RICOS ENTRAREM NO REINO DE DEUS"

Ei Filoteu! tu te lembras da passagem do Evangelho que diz: "A porta que conduz à vida é estreita"?  Pois é! É isso mesmo! Nada de moleza! Cara, tu tens que ir com gosto e gás para dar conta do recado! Morou? Sacou? uau! Vá nessa que é bom à bessa!

Um abraço e bênção do Padre.

sábado, 28 de agosto de 2010

As talhas das bodas de Caná: uma grande lição!


Ei Filoteu, pra você entender bem esse história que transcreverei agora, de um livro que achei, peço que você releia ou leia o texto de Jo 2, 1ss (aquele das Bodas de Caná). Reflita bem sobre o que segue;

As Talhas

   Estavam ali reunidas as seis talhas. Eram pesadas porque de pedra, mas amigos e vizinhos prestativos as haviam trazido e preparado para as ablusões. Continham muita água.
   Era dia de festa. As bodas estavam sendo celebradas no alpendre, porque a casa era modesta e os convidados numerosos. Grinaldas de flores e folhagem ornamentavam o ambiente rústico e singelo.
    As talhas conversavam. Comentavam a timidez da noiva, que ora corava, ora empalidecia, sorrindo furtivamente para o noivo que, por sua vez, parecia querer sorvê-la com um olhar ardente.
    Observavam também outra mulher que ali estava junto à mãe do noivo. Era simples e modesta, de uma beleza serena e luminosa como um luar de madrugada. Os seus olhos, solícitos, mas reservados, se velavam como duas lagoas tranquilas na montanha, sob a neblina matinal.
     Uma das talhas falou: "Que pena sermos grandes e pesadas. Gostaria de ser aquele cântaro leve e gracioso sobre a mesa, ou como uma das taças de argila que contêm pouca água, mas podem ver de perto o que se passa no banquete". "Não contém só água" disse outra, mas vinho. São bem mais nobre do que nós". - "Mais distintas" - acrescentou uma terceira. E outra: "Não ficam paradas e vêem muito mais..." E ainda outra: "Sentem o calor humano dos lábios e das mãos....".
    A sexta talha estava calada, pensativa. Por fim falou: "Estou satisfeita como sou. Aprecio a minha solidez e sirvo bem. A fragilidade também tem os seus incovenientes".
     Nesse momento, um dos convivas deu com o braço numa taça que caiu no chão ruidosamente, partindo-se em pedacinhos. As talhas se acotovelaram e riram. "Quem te deu tanta sabedoria?" perguntou uma à que falara por último. "A idade", respondeu ela.
    Foi aí que entrou mais um grupo de convidados. Tinham jeito de pescadores bronzeados pelo sol, frontes plasmadas pela profundidade do mar e pela altura das núvens, ombros habituados ao desafio das ondas. Um deles não parecia pescador, mas tinha as mãos calejadas do trabalhador manual. Poderia confundir-se com os outros se não fosse as estrelas nos olhos. E quando as estrelas dos olhos miraram as duas lagoas tranquilas que eram os olhos da mulher, a neblina se desfez e refletiram limpidamente o seu fulgor.
   Ninguém notou que os donos da festa estavam inquietos com a chegado do grupo, a não ser a mulher serena e solícita. Ergueu-se discretamente e foi falar com o lhomem das estrelas nos olhos.
    Só as talhas, agora vazias com as últimas ablusões repararam. E quando, a mulher se voltou para os serventes, sua voz soou como campainhas de cristal: "façam o que ele vos disser". E os servos retiraram delas vinho róseo, espumante, do melhor.
    Na hora ninguém deu conta de nada. As talhas sim. Compreenderam que algo de muito grande se passara. E a mais sábia murmurou: "Estou feliz de ser talha. Chega sempre para cada ser, um momento que o supera. Uma glória que ele pode realizar".
    A festa continuou no apogeu da animação. A mulher fitou o homem com carinhosa gratidão. E as estrelas nos olhos dele se refletiram mais uma vez nos olhos dela, antes que a neblina tornasse a velar recadamente aquelas lagoas tranquilas.
    
     Poucos têm a sabedoria da sexta talha e que se julgam felizes como Deus os fez. Desejam sempre algo mais, para além dos seus horizontes, sem esperar e sem saber que cada vida tem a sua hora suprema o seu momento especial que te ultrapasam. Cada um tem uma missão, importante, sem dúvida, gloriosa, com certeza. Tal missão deve-se cumprir.

   Pelo que Você me deu, ó meu Deus, e pelo que achou por bem não me dar, obrigado Senhor!

    Um abraço pra você, Filoteu.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Maria!


Olha Filoteu, quero te lembrar uma bela reflexão que São Bernardo fez sobre Nossa Senhora. Acho que é um dica e tanto. Aliás, quem fala é uma autoridade que assumiu de modo terno, bonito e profundo uma filiação bastante autêntica para com Nossa Senhora. Ela nos introduz na família de Deus, nos faz irmãos de Jesus. Isso mesmo. Com Maria somos irmãos tanto por parte de Pai (o Pai Celeste), como por parte de Mãe (a Virgem Maria: "eis tua mãe", disse o Cristo moribundo). Deixo contigo o pensamento do grande abade:

“Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida. Seguindo-a, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro. Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim” (Hom. II super “Missus est”, 17: PL 183, 70-71).

Que tal?

Um abraço do padre.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Bernardo, uma alma esposa!



Deixo para ti, Filoteu, este belíssimo e arrasante comentário que o Papa faz sobre São Bernardo. Sou fã deste Santo que apaixonou-se profundamente por Jesus e foi um grande protagonista no seu tempo, tendo em vista a maior glória de Deus. Segue abaixo o comentário desta alma esposa. Quero que olhes para esta bela figura acima, da íntima relação entre o Senhor e este tão maravilhoso amigo do coração divino do Mestre.

Só Jesus – insiste Bernardo, frente às complexas reflexões dialéticas do seu tempo – é “mel na boca, cântico no ouvido, júbilo no coração” (mel in ore, in aure melos, in corde iubilum). Daqui provém o título, atribuído a ele pela tradição, de Doctor mellifluus: seu louvor a Jesus Cristo “se derrama como o mel”.

Nas extenuantes batalhas entre nominalistas e realistas – duas correntes filosóficas da época –, o abade de Claraval não se cansa de repetir que só há um nome que conta, o de Jesus Nazareno.
“Árido é todo alimento da alma – confessa – se não for tocado por este óleo; é insípido se não for temperado com este sal. O que escreves não tem sabor para mim, se não leio nele Jesus”. E conclui: “Quando discutes ou falas, nada tem sabor para mim, se não sinto ressoar o nome de Jesus” (Sermões em Cantica Canticorum XV, 6: PL 183,847). Para Bernardo, de fato, o verdadeiro conhecimento de Deus consiste na experiência pessoal, profunda, de Jesus Cristo e do seu amor. E isso, queridos irmãos e irmãs, vale para todo cristão: a fé é, antes de mais nada, um encontro pessoal e íntimo com Jesus; é fazer a experiência da sua proximidade, da sua amizade, do seu amor, e somente assim se aprende a conhecê-lo cada vez mais, a amá-lo e segui-lo cada vez mais. Que isso possa acontecer com cada um de nós!


Que tal? Eis uma alma esposa, homem cristificado, arreado os quatro pneus e estepe por Cristo. Um abraço e bênção.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Paulo, o escolhido


São Paulo, o escolhido para fazer do projeto desafiante de Deus, a sua vida. Na revelação que o Senhor fez a Ananias, o qual recebeu a missão de conferir o batismo a Paulo, logo que ele fez aquela experiência com Jesus ressuscitado, a caminho de Damasco, foi dito quem Paulo seria de ora em diante. Isso mesmo, aquele homem vulcânico, elétrico, enérgico e energético, lá estava ele com uma missão gigantesca. Afinal quem é Paulo, a que ele foi chamado e enviado? Nosso Senhor disse: "(...) este homem é para mim um instrumento de escol para levar o meu nome diante das nações pagãs, dos reis e dos filhos de Israel. Eu mesmo lhe mostrarei quanto lhe é preciso sofrer em favor do meu nome" (At 9, 15-16).
Nota bem, Filoteu o quanto, na própria revelação feita por Jesus quem é esse homem. Já falamos sobre ele, na postagem anterior, mas hoje quero te dizer o quanto a sua missão foi um desafio elevado à enésima potência. "Por isso, já que por misericórdia fomos
revestidos de tal ministério, não perdemos a coragem. Dissemos 'não' aos procedimentos secretos e vergonhosos; procedemos sem astúcia e não falsificamos a palavra de Deus" (2Cor 4, 1-2). Não foram poucos os desafios, mas, como diz aquela propaganda da Petrobrás, "o desafio é a nossa energia". Para Paulo também, podes crer! Rsrsrsrs. Não havia espaço para preguiça, nem para covardias, nem o medo poderia tomar as rédeas na vida desse homem. Sabendo de sua imensa responsabilidade de "colaborador de Deus" (2Cor 6,1), sempre impulsionado pela caridade de Cristo (2Cor 5, 14), tinha consciência de que sua capacidade vinha de Deus (2Cor 3,5). Além disso, o senso da verdade, o acompanhava de modo tal que suas fraquezas e debilidades o levaram a afirmar: "Trazemos, porém este tesouro em vasos de argila, para que esse incomparável poder seja de Deus e não de nós" (2 Cor 4, 7). Por fim, o seu testemunho de luta e sacrifício mostram que a missão do cristão, longe de ser uma experiência de auto-afirmação ou narcisismo espiritual e até psicológico, ou também, um mero meio de vida (Deus pra tanta gente é instrumento de lucro financeiro!), Paulo afirma: "Somos atribulados de todos os lados, mas não esmagados; postos em extrema dificuldade, mas não vencidos pelos impasses; perseguidos, mas não abandonados; prostrados por terra, mas não aniquilados. Incessantemente e por toda parte trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Jesus seja manifestada em nossa carne mortal" (2 Cor 4, 7-11).
Caro Filoteu, o que mais gostaria de frisar em Paulo é sua imensa coragem, sua imbatível fortaleza em vencer as imensas dificuldades que enfrentou por causa do Evangelho. Acho que temos que pensar muito seriamente no testemunho que o apóstolo nos deixou, pois não dá pra ser cristão e ser covarde, ser discípulo de Cristo e viver uma vida mole, voltada para as honras e facilidades. O que o apóstolo das gentes enfrentou é pra fazer tremer nas bases os mais corajosos. Vê só:
"Muitas vezes, vi-me em perigo de morte. Dos judeus recebi cinco vezes os quarenta golpes menos um. Três vezes fui flagelado. Uma vez, apedrejado. Três vezes naufraguei. Passei um dia e uma noite em alto mar. Fiz numerosas viagens. Sofri perigos nos rios, perigos por causa dos ladrões, perigos por parte dos meus irmãos de estirpe, perigos por parte dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos por parte dos falsos irmãos. Mais ainda: fadigas e duros trabalhos, numerosas vigílias, fome e sede, múltiplos jejuns, frio e nudez! E isto sem contar o mais: a minha preocupação cotidiana, a solicitude que tenho por todas as Igrejas! Quem fraqueja sem que eu também se sinta fraco? Quem cai, sem que eu também fique febril? Se é preciso gloriar-me, de minha fraqueza é que me gloriarei" (2 Cor 11, 23b-30).
Qual a leitura de tudo isso? Uma leitura vitimista ou de um herói em busca de recompensa? Nada disso. A esperança da vida eterna, a certeza de não estar investindo em vão as suas melhores energias e potencialidades, fez desse apóstolo um crente determinado e comprometido, engajado ao extremo: "Pois sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus ressuscitará também a nós com Jesus e nos colocará ao lado dele, juntamente convosco. E tudo isto se realiza em vosso favor, para que a graça, multiplicando-se entre muitos, faça transbordar a ação de graças para a glória de Deus. Por isso, não nos deixamos abater. Pelo contrário, embora em nós o homem exterior vá caminhando para a sua ruína, o homem interior se renova dia-a-dia. Pois nossas tribulações momentâneas são leves em relação ao peso eterno da glória que elas nos preparam até o excesso. Não olhamos para as coisas que se vêem, mas para as que não se vêem; pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno" (2Cor 4, 14-18). Além disso, é bom lembrar, o que ele mesmo nos ensinou magistralmente: "Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8, 28). Por isso, amar a Deus, em meio aos desafios e sofrimentos, provações e tentações de todo tipo que se possa encontrar nessa vida, é sempre fonte inesgotável de lucro.
O grande testemunho do gigante doutor dos gentios, apóstolo por vocação (Rm 1,1; At 18, 17; 2 Cor 1, 1) e não por presunção, nos ilumine e encoragem caro Filoteu. Hoje, eu me detive em transcrever as passagens bíblicas citando o próprio Paulo para que nos seja possível mergulhar nesta certeza que vale a pena. Além disso, deixemos de lado toda ilusão de vida fácil e não sejamos (bem, de fato não somos) uns coitados, umas pobres vítimas, gente que está no prejuízo. Afinal, isso não é verdade! Somos enriquecidos com o dom de Deus e comprometidos com seu Reino. Além disso, tira da tua cabeça e do teu coração a desgraçada mentirosa teologia da prosperidade, essa praga que tem feito grande mal. Segundo tal teologia, apregoa-se vida fácil, vida sossegada, sucesso, muito dinheiro, as curas físicas (a cura pela cura, só pra se livrar do problema e deixar as coisas como estão pra ver como é que fica), em suma, como se Deus fosse dar aos seus amigos as comodidades que o seguimento de Cristo supostamente pudesse proporcionar. Reflete comigo Filoteu: o que Jesus disse? "Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição. E muitos são os que entram por ele. Estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à Vida. E poucos são os que o encontram" (Mt 7, 13-14). Além disso, "Se alguém quiser vir após mim - disse o Senhor - negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas o que perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho irá salvá-la" (Mc 8, 34-35). Além disso, somos orientados pelo Mestre a não acumular tesouros na terra, mas no céu (Mt 6, 19-20). Como se não bastasse, não se serve a Deus e ao dinheiro (Mt 6, 24). Claro que podemos servir-nos do dinheiro, mas nunca servir-nos de Deus para servir ao dinheiro. Entendeu o quanto o Evangelho é claro? Viver na abundância, apregoar a prosperidade em função de si própria é uma contradição enorme com a mensagem salvífica do Senhor e do exemplo do santo que comentamos agora. Além disso, lembra o nosso caro apóstolo Paulo "... a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé, e a si mesmos se afligem com múltiplos tormentos" (1Tm 6, 10).
Que o exemplo e abnegação do gigante nos ajudem e iluminem.
Um abraço e bênção pra você Filoteu do Senhor!

domingo, 4 de julho de 2010

A DUPLA "BIÔNICA"

SÃO PEDRO E SÃO PAULO, apóstolos, recordam os fundamentos da Igreja. Era a dupla biônica! Eram demais! A graça de Deus foi radiotivamente chernobítica com eles, que arrasaram, trituraram. Eram DEMAIS!!!! A GRAÇA DE DEUS PODE MUITO! Não eram como o homem de seis milhões de dólares (é o nooovo!), mas receberam graças bemparticulares para uma liderança e pastoreio de grande importância. 
Sob o pastoreio destas colunas, o povo de Deus aconteceu, em Cristo Jesus. Pedro recebeu do Senhor a autoridade, simbolizada pelas chaves. Entregar a chave é entregar o poder de abrir e fechar, dá acesso ou negar esse acesso. Entenda bem Filoteu,  quando alguém ganha um carro, não recebe o carro pra carregar nas costas, muito menos uma casa, mas ao receber as chaves recebe a autoridade. Ninguém dá chave de casa ou de carro a qualquer um, pois isso significa dar um acesso que normalmente é uso e usufruto do proprietário. Sob a Pedra que é Pedro, Cristo edificou sua Igreja. Pedro vem de Pedra e cristão vem de Cristo, ensina Santo Agostinho. E qual a razão da primazia do pescador galileu? A escolha livre do Senhor, sem dúvida. Mas, o grande sinal da eleição foi a profissão de fé em Cesaréia de Filipe. Naquela ocasião, o escolhido proclamou: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo" (leia o texto todo em Mt 16, 13-19). Ora, ao dizer qual é a identidade do Messias,
Pedro ouve qual a sua dignidade: Ele é Pedro. E as portas do inferno nunca prevalecerão contra a Igreja. A Igreja é de Deus, por Ele sustentada e por isso, apesar de tantos destrambelhos históricos, não podemos olhar somente os pecados de quem não levou Deus à sério, mas precisamos olhar para o quanto o Espírito Santo, nela presente, concede-lhe meios de grande eficácia para santificá-la e edificá-la com carismas e dons, fazendo florecer seus frutos. Sabe Filoteu, se tem coisa que não vai bem, isso é problema teu, meu, nosso, ou seja de todos os batizados. Igreja não é só papa, bispo ou padre, mas somos nós os que foram inseridos na comunidade eclesial pelo Batismo. Ok? Morou? Tá ligado? E a Igreja será jovem, se os jovens forem Igreja! (dizia o Pe. Zezinho, o cantor).
Paulo, aquele que desde o ventre da mãe foi separado para o apostolado (Gl 1, 15), teve uma sublime missão de anunciar aos gentios a boa nova. Suas cartas, sua pregação, seu talento único de organizador das comunidade, seu testemunho de sacrifício e renúncia, seu zelo e sua incansável dedicação, bem tudo isso foi fundamental para que o Reino de Deus acontecesse. Em outras postagens falarei um pouco dele, mas hoje me detenho naquilo que para Paulo foi a luz dos seus olhos, a alegria e felicidade, o ar de seus pulmões, sua razão de ser do seu viver, a pulsação do seu coração: JESUS! Fico sem graça e ancabulado em pensar nisso. Este era um homem cristificado: "Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim. Não invalido a graça de Deus" (Gl 2, 19b-21a). Além disso, dizia ele: "Pois para mim, viver é Cristo e viver é lucro" (Flp 1, 21). Imagina só Filoteu! Paulo era um Filoteu e desses de carteirinha, da linha de frente, porta-bandeira, militante juramentado e operante. E todo esse amor, toda essa cristificação foi marcada por uma caminhada dura e sofrida. Seu olhar fixo na eternidade fazia com que não desanimasse nunca pois "nossas tribulações momentâneas são leves em relação ao peso eterno de glória que elas nos preparam até o excesso" (2Cor 4, 17). Por fim, coroou com o martírio toda a sua rica e intensa vida apostólica. Partilhando com seu pupilo espiritual, São Timóteo, o gigante dá o seu testamento magnífico: "Quanto a mim, já fui oferecido em libação, e chegou o tempo de minha partida. Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo juiz, não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor a sua Aparição" (2Tm 4, 6-8).
Bem, sem comentários!!!!!!!!
Pensa, reza e decide. Um abraço e bênção do padre.

Um encontro "eletrocutante".

Um encontro eletocutante. No dicionário Aurélio, eletrocutar significa: Proceder à execução de (um condenado) em cadeira elétrica. Vixe! Então, como é que se pode falar que o encontro de Tomé com Jesus foi com uma voltagem tão doida? Moisés, o fundador do Shalom, fala muito do choque da ressurreição. Falar de eletrocutagem não é exagero? Você sabe, não é Filoteu, o que aconteceu? A história de Tomé é bem conhecida (leia Jo 20, 24-29). Os discípulos encontraram o ressuscitado e o nosso amigo lá não estava e quando reencontrou os companheiros, ao ouvir a narração que o Mestre estava vivo e que eles o viram, então a ducha de água fria veio com força: Ele queria provas, queria tocar, ver pra crer. Já ouviu falar do teste de São Tomé? Pois é!

Eis o homem descrente, o homem onde a fé (este salto no escuro) parecia de verdade inoperante. E era inoperante, convém dizer. É isso, caro Filoteu, conviver com luz de lamparina algumas vezes e tantas vezes é fogo! Ou melhor é com pouco fogo e pouca luz. (A lamparina acesa por uma bruxuleante luz, vendo com pouca visibilidade era imagem da fé; o céu, com a visão do rosto de Deus, a chamada visão beatífica, era como se o sol viesse e iluminasse a casa e então, a lamparina seria apagada). Haja Zé! ou melhor haja Deus dando-nos o dom! Voltemos pro nosso herói. Lá estava ele, com eles e Ele (o Mestre ressuscitado) aparece. Convida o descrente a checar a verdade luminosamente presente naquelas chagas benditas e o discípulo desconfiado cai por terra e faz sua profissão de fé. São Gregório Magno, papa e doutor da Igreja que viveu no VI século diz: "A clemência do alto agiu de modo amirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição". Viu? Deus de tudo tira proveito para o nosso bem. Por isso, eu digo que foi uma elotrocutagem porque aquele toque foi uma verdadeira cadeira elétrica para matar o descrente para daquele fumaceiro estorricador viesse à tona um homem de fé. Tomé tornou-se outro. Chagas benditas aquelas do Divino Salvador! Nós não as tocaremos com as mãos do nosso corpo, mas com os dedos da fé. De fato, dessa incredulidade, misteriosamente útil para nós, fez de nós alvo de uma bem-aventurança arrancada de última hora, uma beatitude meio rapa do tacho, mas fantástica! "Bem-aventurados os que creram sem ter visto" (Jo 20, 29). Essa é pra ti, pra mim, pra nós. Tem gente que adoraria ver Jesus, abraçá-lo, falar com ele, tocá-lo. Mas se essas pessoas imaginassem a beleza e a riqueza que está por detrás de viver aqui sem ver! E esperar pra ver só no Céu! Bem, se Jesus acha por bem conceder visões ou graças místicas pra algumas pessoas, isso é outro departamento. É gratuidade dos dons que Deus concede a quem ele quer, quando e Ele quer e por razões que só Ele sabe. E brá! zé fini! fechou a questão, fechou a rosca e não cabe a ninguém achar ou desachar nada. Quanto a ti, caro Filoteu, vive na presença de Deus como se o visses. E fica em paz. Ainda São Gregório diz que "quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa". Olha aí o desafio e a beleza! Beleza né? É isso aí! Não fique olhando só a dificuldade, mas vê também a beleza que está por detrás de tudo isso. Beleza pura!
Ei, você sabe o que é beleza? Por aí se entende somente como beleza estética. Mas, Platão, um filósofo grego, dizia que a "beleza é o esplendor da verdade". Quando a verdade espande seus raios luminosos, então isso é a beleza. Peeense!
Taí Filoteu, a lição que nos vem do nosso amigo Tomé, o homem que recuperou a fé!
Abraço! Bênção! Fui!

 
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